Metrópole ainda
precisa ir além das medidas sociais convencionais para acabar totalmente com a
desigualdade, segundo especialista
A ajuda de custo melhora problemas antigos de SP, como
o transporte público, infra-estrutura e crescimento cultural
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Na cidade de São Paulo, o Programa federal do Bolsa Família,
assim como no restante do país, é utilizado como uma ferramenta para amenizar a
má distribuição de renda. Contudo, mesmo que no município o número de
beneficiados seja menor comparado ao total, o perfil das famílias atendidas
ilustra um dos problemas mais graves no cenário urbano: a desigualdade social.
Em 2011, de acordo com o Data Social, boletim feito pelo
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, a média da renda total
das cerca de 202.879 famílias paulistanas acolhidas pelo programa era de meio
salário mínimo. Comparados à outra pesquisa divulgada no mesmo ano, feita pelo
SAE, Secretaria de Assuntos Estratégicos, as diferenças econômicas tomam forma.
A análise conclui que a classe média no município possui salário per capita
entre R$ 291 e R$ 1.091.
Os abismos criados entre as duas realidades têm antecedentes
no início do desenvolvimento econômico da cidade. Conhecida como ‘a terra das
oportunidades’, São Paulo foi o refugio para milhares de migrantes que fugiam
da miséria e acabaram deparados com a rotina feroz do capitalismo em ascensão. Hoje , uma
grande parte dos remanescentes vindos de outras partes do Brasil, mora nas
periferias da cidade e dependem da ajuda do governo.
Residente em
São Paulo há 20 anos, a pernambucana Maria de Lourdes Moraes,
42, chegou à cidade fugindo da extrema pobreza em que vivia com a família. Com
os R$ 188 que recebe do Bolsa Família, ela sustenta seus cinco filhos em idade
beneficiada, menores de 16 anos. Através de eventuais serviços de faxina em
casas de outras famílias, Maria consegue complementar a renda, que chega à R$
300, e vê o avanço nas condições de vida antes e depois do programa.
“Sinceramente, não sei como sobreviveria sem esse dinheiro.
Com ele, consegui comprar camas para meus filhos, que até então dormiam no
chão. Temos nossa máquina de lavar, a televisão e consigo garantir nossa
comida. Hoje, certamente, a vida está melhor do que quando cheguei aqui”, diz.
Segundo o economista e professor da Universidade Anhembi
Morumbi, Volney Gouveia, a principal contribuição do programa para o município
é o resgate da dignidade desta parte da população. O investimento feito pelo
governo através do benefício, cerca de R$ 229,5 milhões, consegue ter
resultados positivos que vão além da economia.
“Estudos apontam que o retorno de cada real aplicado no
Bolsa Família, tem o retorno de 40% adicionais. Para uma economia tão complexa
como a de São Paulo, esse reflexo possui proporções menores. Contudo, pensando
de uma maneira social, ele é uma ferramenta para impulsionar pessoas que não
possuem nenhuma perspectiva. O dinheiro aplicado neles, aumenta sua renda per capita e auxilia no suprimento de
necessidades locais, como transporte, comércio, saúde, etc.”, explica o
professor.

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